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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Obrigado, Doutor

Obrigado, Doutor, por fazer minha adolescência mais poética e marcada pela beleza;
Obrigado por ter desmoralizado Dino Zoff na batalha mais épica, heroica e injusta desde que Leônidas enfrentou o império Persa nas Termópilas;
Obrigado por sempre ter se posicionado contra as injustiças, a favor do pobre e ao lado das causas justas e verdadeiras;
Valeu por ter se batido contra a burocracia, o neoliberalismo, o grande capital e as escolinhas de futebol militarizadas e destruidoras da criatividade;
Parabéns por ter dito que nossa criatividade nasce da carência de recursos, dos campinhos esburacados de terra batida e das bolas indomáveis de borracha saltadora, que quem domina uma bola dessa no pé descalço, é capaz de dominar o mundo, os zagueiros implacáveis e o coração de uma mulher;
obrigado por ter coragem de desafiar a ditadura, por externar suas opiniões políticas na testa altiva e orgulhosa e por não se render nunca;
Obrigado, enfim, por, mesmo sendo eu parte da maior torcida do brasil, a anti-corintiana, me fez respeitar este time por abrigar sua elegância e estilo apurados, e por ter instaurado a maior experiência sócio-demo
crática-esquerdista-anarquista da história do esporte nacional.
De brinde, o gol mais difícil e desmoralizante que já vi.
Obrigado, Doutor!