www.digiforum.com.br
Não é nem domingo
tenho fiapos de carne nos dentes
e há sol nos telhados mornos
posso ir à rua
mas não vou
é estranho,
você 'tá' ficando em mim
como fiapos de carne
nos meus dentes
terça-feira, 9 de junho de 2015
segunda-feira, 8 de junho de 2015
Do the Evolution
Século XXI, Era da Informação, tecnologia a todo vapor, estado com alto IDH, um cidadão(?) autoconfiante, dono da verdade, humilha um haitiano que faz um trabalho que ele, o branco, bem nutrido e bem nascido (?) não faria nem que precisasse.
Confesso que já caminhei por aquelas plagas, e presenciei diálogo de teor semelhante, preconceituoso e arrogante, em um ônibus. Senhora caucasiana, olhos claros e sotaque europeu de quem nasceu aqui, mas era filha de estrangeiros, apontava acintosamente para um nordestino, e bradava indignada:
-"Olhem só, mais um deles, invadindo nossa cidade, roubando nossos empregos e vivendo sem licença no que é nosso."
Já fui jovem e mais arrogante, e respondi pelo colega nordestino:
- Se fôssemos seguir seu raciocínio, teríamos impedido seus antepassados que atravessaram o Atlântico quase mortos de fome, perseguidos pelo Adolfinho do Bigode, ou fugitivos de alguma limpeza étnica de se estabelecerem em nossa terra, que afinal de contas não é nossa, porque só a usamos enquanto vivos. Teríamos expulsado aqueles branquelos, esquálidos e de fala enrolada. Mas não, nós os acolhemos, e nos enriquecemos com sua presença, sua cultura e seu trabalho. Tenha a dignidade de se perceber bem vinda aqui nos trópicos, e respeitar o moço que pelo menos é descendente de alguém que nasceu aqui e dividiu o país com vocês!
O frustrado "hater", robusto, agressivo e cagador de regras se esquece de que falou com um ser humano, que o serve com humildade e doçura, e tem o direito de viver e trabalhar no país que o acolheu e que decerto acolheu o antepassado do raivoso pitbull de passeata, quer seja português, espanhol, polonês ou do Turcomenistão.
O que nos leva a pensar que a pregação de ódio que nos divide enquanto país, e que é insistentemente divulgada pela mídia, está produzindo frutos que nos aproximam do pensamento xenófobo e preconceituoso dos skinheads ou da Klu-Klux-Klan.
Lamentoso, diria Toninho Cerezo!
quinta-feira, 4 de junho de 2015
quarta-feira, 3 de junho de 2015
Um Rei e Sua Arte
tpapertowns.blogspot.com
O macilento, cadavérico e respeitável senhor acima, Stephen King, já demonstrou seu imenso e profundo talento em obras-primas do terror e do suspense, que saltaram das páginas de seus romances para, em adaptações mais ou menos certeiras, mais ou menos felizes, tornarem-se clássicos, como "Carrie, a estranha", ou "O Iluminado".
Este estapafúrdio blog decerto poderia intitular-se sem medo, "Delay", porque descubro e divulgo coisas importantes e preciosas com considerável atraso, como o fiz com a trilogia Millenium de Stieg Larsson.
Ao ver saltar o nome de King na capa, aproximei-me, e fui fisgado pelo livro "Sobre a Escrita" no qual ele divide conosco, meros e melros mortais, um pouco de sua vida e muito de suas técnicas de criação e produção.
É uma prosa fluida, coloquial e fascinante. Sua vida narrada com humor refinado e autoirônico é tema para um livro de vida própria, e desperta interesse por mais de suas memórias.
Porém , quem não tem o desejo e a curiosidade de espiar por cima do ombro de um mestre em pleno exercício de seu ofício?
Como não convivemos com muitos deles, quando um desce do Olimpo e reparte migalhas de sua arte, é como não só espiar, mas compartilhar desse ato e da maneira como ele se materializa.
Diversão, cultura pop, papo agradável e inteligente, humor sem autoindulgência e dicas certeiras para quem almeja escrever, mais que produzir páginas. Além , é claro, de criaturas estranhas, perturbadas e bizarramente doentias espiando a conversa pelas janelas e detrás dos móveis.
Longa vida ao rei!
O macilento, cadavérico e respeitável senhor acima, Stephen King, já demonstrou seu imenso e profundo talento em obras-primas do terror e do suspense, que saltaram das páginas de seus romances para, em adaptações mais ou menos certeiras, mais ou menos felizes, tornarem-se clássicos, como "Carrie, a estranha", ou "O Iluminado".
Este estapafúrdio blog decerto poderia intitular-se sem medo, "Delay", porque descubro e divulgo coisas importantes e preciosas com considerável atraso, como o fiz com a trilogia Millenium de Stieg Larsson.
Ao ver saltar o nome de King na capa, aproximei-me, e fui fisgado pelo livro "Sobre a Escrita" no qual ele divide conosco, meros e melros mortais, um pouco de sua vida e muito de suas técnicas de criação e produção.
É uma prosa fluida, coloquial e fascinante. Sua vida narrada com humor refinado e autoirônico é tema para um livro de vida própria, e desperta interesse por mais de suas memórias.
Porém , quem não tem o desejo e a curiosidade de espiar por cima do ombro de um mestre em pleno exercício de seu ofício?
Como não convivemos com muitos deles, quando um desce do Olimpo e reparte migalhas de sua arte, é como não só espiar, mas compartilhar desse ato e da maneira como ele se materializa.
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Longa vida ao rei!
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terça-feira, 2 de junho de 2015
vidanet.org.br
Não tenho saudade nenhuma
do torto caminho sem graça
que os meus pés andaram até o dia
em que me encontro
Estão reunidos
todos os cinzas desmaiados
os dias mornos e compridos
e uma lista espichada e interminável
de coisas que eu não fiz
Hoje, só quero ser melhor que já fui
pois esses meus dias
estão começando a ficar iguais
e não ando conseguindo me lembrar
de um em especial
talvez porque não haja um em especial
e entre morrer de medo de morrer
e desfiar rosários de horas xerocadas
só consigo escolher esse agora
essa fala
essa angústia chata
estampada na cara
Não tenho saudade nenhuma
do torto caminho sem graça
que os meus pés andaram até o dia
em que me encontro
Estão reunidos
todos os cinzas desmaiados
os dias mornos e compridos
e uma lista espichada e interminável
de coisas que eu não fiz
Hoje, só quero ser melhor que já fui
pois esses meus dias
estão começando a ficar iguais
e não ando conseguindo me lembrar
de um em especial
talvez porque não haja um em especial
e entre morrer de medo de morrer
e desfiar rosários de horas xerocadas
só consigo escolher esse agora
essa fala
essa angústia chata
estampada na cara
Ataduras
screencrush.com
-Aí, pronto. Você encastelou-se. Vestiu a armadura! Que bom! Já não era sem tempo! E eu não sei se ainda há alguma cicatriz do lado de dentro dela, como eu tenho as minhas! E sabe aquela atadura sobre o sangue seco das feridas que te falei lá atrás, desde o começo? Acho que é o último pedaço dela que está saindo!
-Aí, pronto. Você encastelou-se. Vestiu a armadura! Que bom! Já não era sem tempo! E eu não sei se ainda há alguma cicatriz do lado de dentro dela, como eu tenho as minhas! E sabe aquela atadura sobre o sangue seco das feridas que te falei lá atrás, desde o começo? Acho que é o último pedaço dela que está saindo!
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